Um ano.

Hoje é o último dia do mês de agosto, mês em que eu optei por deixar minha carreira profissional de lado para acompanhar a primeira infância do meu filho.
Eu passei boa parte da minha vida falando que nunca iria sair do trabalho para ser “só” mãe e me envergonha lembrar que eu pensava assim, me envergonha mais ainda lembrar de todas as vezes em que entrevistei mulheres (Eu sou psicóloga e trabalhava com recrutamento e seleção) e as questionava com quem os filhos ficavam, ou se caso eles ficassem doentes quem cuidaria deles ou quando essas mulheres que depois de anos cuidando dos filhos, estavam buscando uma recolocação no mercado de trabalho, eu as questionava se elas “só” cuidaram dos filhos durante esse tempo todo, como se fosse uma coisa fácil de se fazer.
Bom, essa era a Priscila antes da maternidade, eu não tinha a menor noção do quanto era difícil criar um filho, que embora os bebês fossem fofos, eu não sabia o tamanho do trabalho que eles davam. Eu peço desculpas mentalmente todos os dias a todas as mães que eu já entrevistei, eu ainda não era mãe, eu não sabia de toda dificuldade que passaram e nem como elas davam duro para administrar a criação com as tarefas da casa.
A maternidade escancarou a minha porta e invadiu cada espacinho de mim, eu era mãe por completo e meu coração dizia que eu precisava desacelerar e curtir essa maternidade. Não foi uma escolha fácil, eu tinha tanto medo da gente não conseguir manter as contas de casa, medo de faltar comida, remédio, roupa, medo da gente não dar conta e eu precisar voltar ao mercado de trabalho e ninguém me dar uma chance porque agora eu sou “só” mãe.
O medo e a dúvida eram constantes, mas minha vontade de estar junto da minha cria era muito maior, não sei quem precisava mais de quem, se era ele de mim ou eu dele.

Agosto faz um ano que eu assinei minha demissão, que trouxe para casa todos meus itens pessoais que estavam no trabalho, meus porta retratos que ficavam na minha mesa e a despedida tão difícil de pessoas tão queridas que conheci no trabalho.
Faz um ano que escolhi ter uma vida mais leve, é difícil desprender do padrão que crescemos, achando que trabalho traz o dinheiro que nos da felicidade.
Faz um ano que minha felicidade deixou de comprar e ter bens.
Faz um ano que assisto desenho junto com meu filho e canto todas as musicas, eu posso brincar com ele a qualquer hora do dia, eu saio correndo atras dele, jogo ele no colchão, faço cócegas e ganho as gargalhas mais deliciosas do mundo, eu coloco um disco na vitrola e a gente dança juntos, a gente assiste Toy Story a tarde comendo pipoca e quando acorda da soneca ele é a coisa mais fofa que já vi.

Tem mês que conseguimos pagar todas as contas, tem mês que algumas irão ser pagas só no próximo mês, cortamos alguns gastos quando necessário, vivemos apertados financeiramente, mas esses pequenos prazeres que temos junto com o Valentim, não tem dinheiro que pague.
Não são todos os dias que são fáceis, ele tem muita energia, da muito trabalho, tem dias que a vontade é de largar tudo e ir embora, mas de longe, essa foi a melhor escolha que já fiz.

Quando alguém me pergunta o que eu vou deixar para ele no futuro, já que escolhi essa vida, eu respondo que vou deixar amor, ele terá doces lembranças da infância e ele irá crescer sendo um bom homem devido a criação que estamos oferecendo a ele.

 

 

IMG_1240

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s