Amamentação

Engano meu pensar que amamentar seria tranquilo, que seria natural e lindo como eu via na televisão ou nas fotos do instagram.
Engano meu pensar que a “pega” seria fácil e que se o bebê não pegasse corretamente seria só tira-lo do peito e o colocar corretamente.
Engano meu pensar que amamentar meu bebê até um ano seria o suficiente.
Engano meu achar que dar de mama fora de casa seria tranquilo e que todos iriam me respeitar.
Engano meu achar que não receberia tantos palpites e desencorajamento.
Engano meu achar que amamentar seria fácil.

Eu passei a gestação inteira me preparando para o parto que eu queria (e que não aconteceu), eu passei minha gestação preparando o enxoval, comprando roupinhas e imaginando meu bebê em cada uma delas, passei minha gestação admirando minha barriga crescendo a cada mês e me despedindo da minha antiga vida, pois sabia que com a chegada do Tim Tim tudo iria mudar.
Estava ciente de que o mundo da maternidade não seria um conto de fadas, eu estava preparada para o cansaço e noites mal dormidas, eu estava preparada para amar e para me entregar, porem eu descobri que eu não me preparei para amamentar.

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Li muitos textos, esfoliava os mamilos durante o banho, entrei de grupos online de amamentação e recebi conselhos de amigas que sofreram com a amamentação, mas tudo se perde quando a enfermeira entrega seu filho no colo a primeira vez e diz: “Agora você irá amamenta-lo”.
Você descobre que não é fácil colocar seu mamilo na boquinha do bebê, ele demora um pouco para perceber o que precisa fazer, o bico escorrega, sai da boca e ele começa a chorar sem parar. Pronto, é ai nesse momento que você pensa “Fodeu”.
O nervosismo vem com tudo, junto com a insegurança e o medo de não dar certo.
Enquanto estamos na maternidade, temos as enfermeiras para nos ajudarem e isso nos tranquiliza, porém é quando chegamos em casa que o jogo realmente começa.
Nosso organismo não sabe a quantidade de leite seu bebê precisa, então a produção de leite é intensa. É tanto leite que vaza, escorre pelo seu corpo, molha sua roupa e se usamos as conchas, quando agachamos para pegar algo que caiu, todo o leite que estava na concha derrama pelo chão. Não, não é legal e nem bonito.
O bebê passou 9 meses na barriga e quando nasce ele quer e precisa ficar grudado com a gente, a duração das mamadas são longas, 1, 3, 5, 9, 12 horas seguidas mamando e agarrado no peito.  O mamilo está todo machucado, com fissuras, em carne viva e as vezes sangra, é preciso consertar, mas a cada vez que o bebê solta o peito e vai pega-lo novamente a dor que sentia era a soma de todas as dores que já havia sentido vezes mil!

Lembro daqueles primeiros dias, de ver meu filho chorando querendo o peito e eu querendo fugir, ele mamava e eu chorava de tanta dor. Por muito pouco eu não desisti e eu entendi porque tantas mães deixam de amamentar e elas merecem todo o meu respeito.
Nesse período tão difícil eu escutei que meu leite não era o suficiente para o meu bebê porque ele não largava do peito, me falaram para eu não deixar ele fazer meu bico de chupeta e oferecer chupeta para ele, escutei que eu deveria dar mamadeira para que outras pessoas pudessem me ajudar a cuidar dele e ouvi de muitas amigas queridas para que eu tivesse calma porque a dor iria passar e que eu iria amar amamentar. Minhas amigas estavam certas.
Quando meu mamilo cicatrizou minha relação com meu filho melhorou, eu não queria mais fugir dele e fui me rendendo aos encantos da amamentação, a troca de olhares, pele com pele, o cheiro e fui percebendo nossos laços sendo formados.

Amamentar é autoconhecimento, é abrir mão de alguns alimentos, bebidas, remédios e produtos estéticos, é vencer o cansaço e a solidão, é quebrar conceitos e romper barreiras, é perder a vergonha de mostrar o peito enquanto amamento, é lutar contra uma sociedade que não nos acolhe, não nos oferece espaço e nem entende a necessidade dos nossos filhos, é a satisfação em descobrir que tenho capacidade nutrir meu filho e muito mais do que alimenta-lo, é acalmar seus choros, medos e angustias, é tirar as dores, é curar machucados, é oferecer saúde, é fazer dormir, é contato, é troca de carinho, é paciência, é criar o vínculo que irá durar uma vida inteira, é amar em livre demanda.

 

 

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